::Toy-box related
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Venha ver o incrível espetáculo que está para começar◊
Gostaria de ser uma marionete de madeira pintada em tons de azul.
Com asas de madeira e roupas de seda, com cabelos de lã e olhos de vidro.
Presa no alto de uma lareira qualquer, vendo o vento vir e ir pelo vidro da
janela quebrada
Gostaria de ser um punhado de cinzas, fugindo junto ao vento, tocando rostos e
perdendo-me em partes até não mais existir
Gostaria de ser uma pessoa de verdade, um dia...
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É muito mais divertido ser o monstro do que a princesa, é muito mais fácil
quebrar seus brinquedos em partes e esconder em um canto da casa.
É fácil esperar que se cubram de poeira e que ninguém mais se lembre.
Será fácil sentir remorso, será mais seguro que não haja tempo para se
arrepender.
É ser inconseqüente, sensato, doentio.
Sem dar tempo para que o tempo o faça repensar.
Aprendemos a engatinhar juntos, a andar, falar e agora estamos aprendendo a
ferir.
Merecemos ficar sozinhos porque somos pecadores e sozinhos como nascemos
deveremos morrer.
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Isto não pode mexer-se
Isto não pode sorrir
Isto não poderia jamais falar-lhe
Isto não poderia jamais esconder seu pranto
como podem criaturas feitas de madeira sofrer tanto?
Ele se contorce sozinho no escuro, ele vê os olhinhos em cima das prateleiras
brilhando
como podem criaturas presas por cordas sofrer tanto?
Ele dança sobre a lareira
ele sente as brasas queimarem seus pés
se há alguém neste mundo que entenda
corte nossos finos fios e nos permita cair no piedoso fogo
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Quem você acredita ser?
Princesinha de algo especial e nada além disso?
Pobre criatura do submundo
Chore todo sangue que possuir
Pois você está numa gaiola chamada moral
Perdoe-me, sou apenas o Bobo da Corte
Não poderia salvá-la
Não poderia nem ao menos salvar-me
Pobre criatura do submundo
Poderia me emprestar sua bela e doce alma?
A minha está de muito perdida
Chore por mim, estou abandonado
E às vezes penso se mereço abandonado ser
Mas você está perdida pequena princesinha?
Esqueceu o tempo, esqueceu que ele existe para nós?
Esqueça o tempo e ele não existirá para nós.
Não poderia lhe indicar o caminho correto
Pois sou apenas o Bobo da Corte deste Reino
E não há nada que melhor faça do que confundir
Chore todo sangue que possuir
E feche de vez as cortinas vermelhas
Seu espetáculo acabou, aplausos e adeus
Espere por mim na próxima cena enquanto me perdoa
Não foi minha culpa você ter se tornado algo assim
Adormeça em meus braços para chorarmos juntos enquanto começa a entardecer
E se arrependa antes que a noite chegue ao seu fim.
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Sozinho no elevador, ouvindo a luz oscilar.
Andar por andar, luzes neon, pequenas luzes neon.
1.2.3 e em diante, sempre a subir.
-Eu não quero morrer nesta caixa-
Somos humanos enlatados, prontos para sermos servidos.
-Eu não quero morrer nesta caixa-
Mesmo que exista ar, sei que não serei capaz de senti-lo.
-Eu não quero morrer nesta caixa-
Somos humanos enlatados, filtrando o ar, perdendo o ar
-Eu não quero morrer nesta caixa-
Se ele despencar, irei cair até o céu?
Eu quero poder ver a luz do sol mais uma vez.
-A porta se abre-
A criança observa a mariposa que se debate contra a luz.
-O elevador se fecha, adeus pequena mariposa-
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É como um livro intocável, coberto por traças, ilegível e amarelado, mas
mesmo assim intocável.
É algo que se deixa guardado até que estrague e se torne inútil.
É um corpo que não se deseja velar antes que apodreça.
É um brinquedo novo nunca retirado da caixa.
A lembrança de algo que nunca foi vivido
e a saudade de alguém que jamais existiu.
Seremos todos carbono.Mas ainda ignoramos.
O que deseja sentir quando começar a escurecer?
Esta noite ele se cala, de madrugada chora.Amanhã será sempre igual.E agora que
já estamos perdidos qual o significado de marionetes esculpidas em carne
dançando sob o sol?
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Existe algo neste mundo que se chama medo.
Aqueles que se negam a ver ainda podem senti-lo?
Gostaria poder fazer a multidão enxergar, se pudesse gritar alto o suficiente
para quebrar a camada de vidro que eles usam na frente dos verdadeiros olhos,
talvez houvesse uma chance para...
Eu me recuso a ver desde que os corvos perfuraram meus olhos.Você se recusa a
ver desde que eles lhe disseram que não é necessário.
Esta noite chove, de madrugada somos órfãos.Amanhã seremos rejeitados.E agora
que já estamos perdidos qual o significado de marionetes esculpidas em carne
dançando sob o sol?
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Será nosso destino uma incógnita?
Em busca do eterno horror, da real beleza.
Daquilo que nenhuma pessoa jamais conseguiu esquecer, mas que todos já
pretenderam abandonar.
Tentando encontrar a razão e implorando para que exista uma razão;
Brincando de ventríloquo com as crianças abandonadas da noite, amarrando cordas
em seus pulsos, fazendo-os rir, como uma máscara chinesa.
Rindo como uma máscara chinesa
Fugindo de casa com seu guarda-chuva de plumas, correndo para a rua molhada e
fria, sentindo-se livre enquanto perde os sentidos.
Dedos molhados, cortados, sujos;
Poesia para iletrados.
Mundo puro?
Mente imperfeita
Esta noite eles se despedem, de madrugada se enforcam.Amanhã começam a
decompor.E agora que já estamos perdidos qual o significado de marionetes
esculpidas em carne dançando sob o sol?
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Uma criança canta sozinha, ela ainda não enxerga
Não, são apenas os mesmos corvos, eles vão me salvar?
É o silencio das palavras jamais ditas
Você não pode ouvir o som de suas asas?O bater de suas asas?
são apenas as folhas secas encontrando o chão
Você não pode escutar esta criança cantar antes de dormir, você não pode ouvi-la
pedir que lhe conte estórias, mesmo que sejam as mesmas estórias de sempre, ela
só deseja ouvi-las mais uma vez, até a última de todas as vezes.
É apenas uma caixinha de música antiga, uma criança mal comportada com roupas
engraçadas e olhos vazios
...Palhaços, pequenos palhaços...me façam sorrir
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Apenas um biscuit empoeirado, enfeitando a prateleira do seu quarto enquanto
você corre pelo jardim.
sem lembrar, sem jamais lembrar.
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Hattress le fou © 2005